Muito se tem discutido atualmente em Florianópolis e no Brasil sobre complicações em Cirurgia Plástica.

É um assunto delicado e espinhoso para os cirurgiões plásticos e que também causa muita polêmica entre os potenciais pacientes e o público em geral, principalmente pelo fato de que na imensa maioria das vezes, a Cirurgia Plástica é uma cirurgia eletiva, ou seja, não há nada de ordem física que obrigue o paciente a submeter-se a ela. Embora muitas vezes o obrigue o lado emocional e psicológico.

Assim sendo, qualquer insucesso terá uma repercussão maior que, digamos a que teria um paciente ao submeter-se a correção de um problema cardíaco ou trauma por acidente.

O paciente de Cirurgia Plástica é, geralmente um paciente hígido, o que em linguagem médica significa que é saudável e que encontra-se apto fisicamente a submeter-se ao procedimento desejado. Esta aptidão tem se tornado cada vez mais abrangente devido à segurança das novas técnicas cirúrgicas e de anestesia, bem como dos aparelhos presentes nas salas cirúrgicas que monitoram tão detalhadamente os pacientes que dificilmente alguma alteração passa despercebida aos anestesistas.

Pacientes que até algum tempo atrás não pensariam em submeter-se a uma Cirurgia Estética como hipertensos, safenados , diabéticos controlados, etc… tem em número cada vez maior procurado os consultórios de cirurgiões plásticos em busca de uma melhor qualidade de vida, de um aumento da auto- estima e de melhor aceitação social.

Após exames cuidadosos e liberação de seus médicos assistentes, são submetidos a intervenções cirúrgicas em locais seguros com todos os recursos disponíveis, o mesmo ocorrendo com pacientes idosos de até 80 anos que são submetidos a cirurgias com riscos mínimos, podendo usufruir de seus resultados, por muitos anos.

Está certo! É tudo muito seguro, acessível a qualquer um, de qualquer idade e que possua até algum problema físico sob controle. E mesmo assim, às vezes ocorre alguma complicação. Raras, um caso a cada 5 milhões mas mesmo assim pode ocorrer. E ocorre nos jovens e saudáveis. Talvez até mesmo por uma banalização da Cirurgia Plástica, ocorra mais nos jovens do que em velhos ou portadores de algum problema subjacente.

O jovem muitas vezes é imediatista. Ele quer ser operado ontem. Meninas recém saídas da adolescência preferem muitas vezes submeter-se a uma lipoaspiração para retirada de quantidades mínimas de gordura a ter que fazer uma pequena dieta ou algumas horas de exercícios em uma academia.

Na verdade, muitas jovens têm realmente gordura localizada que muitas vezes não desaparece com dieta e exercícios, tendo indicação de submeter-se a uma lipoaspiração e tendo um lucro real com a mesma. Mas outras levam apenas a vaidade às últimas conseqüências, estimuladas pela mídia que induz a procura de ideais estéticos inatingíveis pelas pessoas comuns ou pressionadas pelo grupo, ou seja, a amiga fez portanto ela deve fazer também.

E nós cirurgiões plásticos, nos deixamos levar também por uma sociedade que nos obriga a ter um número cada vez maior de pacientes, a uma competição contínua. E assim, muitas vezes dados importantes de um paciente são subestimados, uma conversa cuidadosa e franca no consultório é relegada a um segundo plano, exames laboratoriais em menor número são solicitados, pacientes jovens não são interrogados com maior empenho a procura de uma patologia anterior. Às vezes uma fundamental consulta prévia com o anestesista não é feita. O paciente tem o direito de saber quem vai ser seu anestesista, tem o direito a uma consulta com o mesmo e até mesmo de escolher seu tipo de anestesia, desde que não haja nenhuma contra indicação.

Devido a tudo isso, é fundamental que as pessoas procurem bons cirurgiões, que os mesmos façam parte da Sociedade Brasileira Plástica que regulamenta a especialidade, que estejam devidamente escritos no Conselho Regional de Medicina, que tenham uma boa formação profissional com residências médicas reconhecidas e que exerçam suas atividades em locais de bom padrão com aparelhagem adequada, com recursos disponíveis para uma reanimação adequada se necessário, e de onde seja fácil uma remoção de urgência.

Mas é estranho constatarmos que os pacientes em geral preocupam- se pouco com tudo isso, de maneira que é surpreendente que as complicações não sejam maiores. Dificilmente tentam descobrir dados sobra a formação do cirurgião, interessam-se pouco pelas condições de segurança dos locais onde vão ser operados e raras vezes preocupam- se em ver resultados anteriores do cirurgião em questão, preferindo fazer sua escolha pelo preço, por quem esta mais na moda, aparência física etc., numa situação de completa incoerência e falta de bom senso.

Mas quando falamos de complicações não devemos nos ater apenas às mais graves que implicam em óbito do paciente. Vimos há poucos meses na mídia resultados nefastos em Cirurgia Plástica, que implicaram em mutilações graves de pacientes com possibilidades remotas de correção. Esse tipo de problema na verdade é raro. Na maioria das vezes as complicações decorrem de uma série de fatores controláveis que vão desde falha técnica do cirurgião até problemas decorrentes do próprio paciente como má cicatrização, etc., podendo ser também provocados pela escolha do local da cirurgia e das condições do mesmo.

O importante é que o paciente tenha uma conversa franca com seu médico na qual não possam haver dúvidas sobre o desenrolar da cirurgia e o pós- operatório da mesma.

Existem chances de complicações? Esta são comuns? Podem ser necessários retoques? São questões que devem ser colocadas:

Complicações são raras e retoques não são freqüentes. Mas o paciente deve ser informado disso por seu médico.

Não se deve confiar em quem promete a perfeição. Cirurgiões com egos exacerbados muitas vezes declaram que suas cirurgias são perfeitas e isso muitas vezes não ocorre.

De qualquer maneira, bom senso e informação são fundamentais na hora de escolher.